Não recebi o décimo terceiro salário dentro do prazo: o que fazer?

Facebook
Twitter
LinkedIn

O décimo terceiro salário é um direito garantido a todos os trabalhadores contratados pelo regime da CLT. Ele funciona como um importante reforço financeiro no final do ano e é muito aguardado pelos trabalhadores. Mas o que fazer quando a empresa não paga o décimo terceiro dentro do prazo legal?

Neste artigo, você vai entender quais são os seus direitos, qual é o prazo correto de pagamento, o que pode acontecer com a empresa que atrasa e quais passos você deve tomar para se proteger.

📌 O que é o décimo terceiro salário?

O décimo terceiro salário — também chamado de “gratificação natalina” — é previsto pela Lei 4.090/1962 e deve ser pago todos os anos aos trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS.

Ele é calculado com base no salário de dezembro e corresponde a 1/12 da remuneração por mês trabalhado no ano.

📅 Qual é o prazo legal para pagamento?

A legislação estabelece dois prazos obrigatórios:

  1. Primeira parcela: deve ser paga até 30 de novembro.
  2. Segunda parcela: deve ser paga até 20 de dezembro.

Empresas que atrasam ou deixam de pagar estão descumprindo a legislação trabalhista.

O que acontece quando a empresa atrasa o décimo terceiro?

O atraso configura infração administrativa. A empresa pode sofrer:

  • Multas do Ministério do Trabalho, que variam conforme o caso.
  • Ações trabalhistas, caso o funcionário decida buscar o valor judicialmente.
  • Juros e correção, determinados pela Justiça em caso de reclamação trabalhista.

Além disso, o atraso prejudica o trabalhador, que conta com esse dinheiro para despesas de fim de ano.

📝 O que fazer se você não recebeu o décimo terceiro no prazo?

Aqui estão os passos práticos:

  1. Verifique com o RH ou setor responsável

Antes de tomar medidas formais, é recomendado:

  • Entrar em contato com o RH.
  • Solicitar explicações por escrito.
  • Confirmar se houve algum erro operacional.

Muitas vezes o pagamento é regularizado rapidamente.

  1. Registre uma denúncia no Ministério do Trabalho

Se a empresa não resolver, você pode denunciar anonimamente:

  • No portal Sistema de Denúncias Trabalhistas
  • Presencialmente nas Superintendências Regionais do Trabalho

A denúncia é sigilosa e não expõe o trabalhador.

  1. Procure o sindicato da sua categoria

O sindicato pode:

  • Intermediar o diálogo com a empresa;
  • Formalizar reclamações coletivas;
  • Orientar você com base na convenção ou acordo coletivo.
  1. Abra uma reclamação trabalhista

Se nada resolver, você pode ajuizar uma ação na Justiça do Trabalho solicitando:

  • Pagamento integral do décimo terceiro;
  • Juros;
  • Correção monetária;
  • Eventuais reflexos em outras verbas (como férias e FGTS, dependendo do caso).

A ação pode ser movida com advogado ou mesmo sem advogado (nos juizados, até 20 salários mínimos).

📌 O prazo para reclamar: atenção!

O prazo para exigir judicialmente o pagamento é de até 2 anos após o fim do contrato de trabalho, com direito a cobrar verbas relativas aos últimos 5 anos.

Ou seja: mesmo quem já saiu da empresa ainda pode cobrar.

💡 Como evitar problemas no futuro?

Algumas atitudes ajudam a garantir seus direitos:

  • Guarde holerites, comprovantes de pagamento e contratos.
  • Acompanhe o calendário trabalhista da empresa.
  • Participe das assembleias do sindicato.

Ter tudo registrado evita dores de cabeça caso o atraso volte a acontecer.

Conclusão

Não receber o décimo terceiro dentro do prazo é um problema sério — mas você não está desamparado pela lei. Existem órgãos fiscalizadores, suporte sindical e a própria Justiça do Trabalho para garantir que você receba o que é seu por direito.

Se o seu décimo terceiro atrasou, siga os passos deste guia e busque seus direitos com segurança!

 

 

 

Alessandro de Freitas Gonçalves - Advogado OAB/RS 133.081

Alessandro Gonçalves
Advogado- OAB/RS: 133.081
(51) 99136-5777

Alessandro Gonçalves é Advogado, mestre, pós-graduado em Direito Empresarial, especializado em direito do trabalho, e perito ergonomia do trabalho. Ao longo de 20 anos, Alessandro contratou mais de 2 mil empregados e geriu contratos de alta complexidade na área de terceirização de mão de obra para o governo.

Atualmente coordena uma competente equipe de advogados em seu escritório, com foco total em apoiar os trabalhadores e trabalhadoras na busca de seus direitos trabalhistas.

Comprometido com o processo, Gonçalves e sua equipe estão preparados para te ajudar em qualquer fase de sua relação de trabalho mesmo depois que ela já foi extinta.

www.alessandrogoncalves.com.br

Veja outras notícias

💬